segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

O choro, a história e a casca

 


Sigamos com todas essas conquistas, também com nossas derrotas, cascas, sabendo que a despeito de patamares dopados, apostados e depois liberados, o Vasco, desde 1923, jamais deixará de ser o time com a maior História. 

Não troco o choro do meu filho caçula, de 12 anos, ontem no Maracanã, pelo Campeonato Carioca de 1923, quando o Vasco dos pobres, dos negros e analfabetos chegou na Primeira Divisão dando que dando nos clubes da elite nacional afrancesada, safada, sendo campeão no seu primeiro campeonato e provocando em nossos rivais os atos mais escancarados e registrados, em jornais e atas, do mais abjeto racismo. Não há revolução maior na história do futebol brasileiro do que o surgimento do Vasco nesse Carioca, abrindo as portas para a popularização e a profissionalização do esporte, e por isso não troco essa taça nem pelo choro convulsivo do meu filho caçula mais a tristeza absoluta, silenciosa e profunda do filho mais velho, aos 14 de idade. Não abro mão dessa história que hoje obriga o torcedor rival esclarecido, letrado, a recorrer às teorias de seus grupos de whatszapp e sair sacramentando que “todos os portugueses são racistas”, ou que Vasco da Gama era um genocida, equiparando a sério, com ares de intelectual entendido, atos registrados e documentados de racismo explícito das diretorias de seus times, no início do Século XX, com acontecimentos de antes da invasão do Brasil, em 1.500.

Não troco o choro do meu filho caçula, de 12 anos, pelo primeiro Campeonato continental de clubes da história, o Sul-Americano de 1948, no Chile, o primeiro título do futebol brasileiro, Seleção inclusive, em solo estrangeiro, e nem pela primeira Taça Intercontinental de Clubes de fato, o Torneio de Paris de 1957, os 4 a 3 sobre o Real Madrid na primeira vez em que um campeão europeu e um campeão sulamericano disputaram uma final de campeonato, na primeira conquista do futebol brasileiro, e sulamericano, em gramados da Europa. E também não troco a tristeza do filho mais velho, que cantou até o fim ontem, mais o choro descontrolado, vazante, do caçula pelos 7 a 2 no Barcelona na casa deles, nessa mesma excursão de 1957, quando no Rio ficou Bellini, que se juntou a parte do time do Santos para um torneio amistoso e assim um certo Pelé, aos 16 anos, foi chamado pela primeira vez para a Seleção Brasileira porque fez seus primeiros cinco gols no Maracanã com a camisa do Vasco, três no Belenenses, um no Dínamo de Moscou e outro, sim, no queridinho da mídia, do VAR e da Gávea.

Não troco o choro do meu filho caçula, de 12 anos, ontem no Maracanã, pela Mercosul de 2000 com a maior virada da história, que não é de um século apenas, como insistem em chamar, mas de todo um milênio, e nem pela Libertadores que não foi no ano nem no mês, mas na semana do Centenário, sem VAR nem Wright nem tira-teima no Jornal Nacional com linha torta para “provar” que Alecssandro estava impedindo quando fez 1 a 0 para o Vasco no jogo de ida das quartas-de-final da Libertadores 2012, em São Januário. E não há prova maior de que Alecssando estava em posição legal do que o fato de este ter sido o único tira-teima da história a ocupar espaço na grade do JN. Mais um apito decisivo, como o impedimento inventado de Edmundo na final do Mundial, como o pênalti de Chicão em Élton na semifinal da Copa do Brasil de 2009, como as dezenas de gols legais anulados e pênaltis não marcados para o Vasco no Brasileiro de 2011, tudo para garantir algumas taças ao 02 do Sistema, aquele time que não se incomoda em perder sempre que necessário para o 01, e que daqui a uns meses perderá de novo, mais uma taça, submisso e cordato, contente com sua posição subalterna no script do nosso futebol brasileiro, cada vez mais manjado.

Não troco o choro do meu filho caçula no Maracanã, mais o silêncio pós-jogo do mais velho, que durou até a hora de dormir, por nenhum Brasileiro nem pela Copa do Brasil e por Carioca algum, muito menos Taça Guabanara ou Taça Rio, não troco por conquista alguma do Vasco, mas também não troco por nenhuma derrota, sobretudo as roubadas, como a de ontem. Mais de nove minutos gastos pelo goleiro do 02 com tiros de meta, sequências de 10, 12 segundos do goleirão segurando a bola e nada de escanteio, um jogador de branco caindo a cada minuto, árbitro entrevistador, como bem definiu o Diniz, um jogo amarrado, na conveniência do resultado, e a leve impressão de que qualquer ameaça a esse resultado esperado seria, de certa forma, apitada e depois naturalizada, nesses nossos tempos em que narradores e comentaristas brigam com as imagens, se tiverem de brigar, e transformam pênaltis não marcados em desarmes espetaculares, na bola, de seus marcadores sagrados. O empurrão escandaloso pelas costas, dentro da área, o puxão pra iniciar contra-ataque e o empurrão com soco no peito do marcador pra concluir a jogada, tudo é relevado, naturalizado e quando assim, em grande quantidade num mesmo primeiro tempo de um mesmo jogo, por coincidência decisivo à beça, aí o jeito é reconhecer um, o mais escandaloso, e dizer que os outros dois não foram, de jeito nenhum, e 2 a 1 e tudo dominado, e nem pensar em cogitar afirmar o óbvio, que mesmo só o lance reconhecido de tão escandaloso, um pênalti no início do jogo, poderia alterar o resultado. Não, pelo contrário, o super queridinho da CBF, da Globo, da ESPN, do Sportv, da Record e da Amazon foi muito melhor de fato, dizem todos, como disseram no outro jogo decisivo do campeonato, quando o placar estava 0 a 0 e pela enésima vez foi marcado um pênalti devido ao roçar de dedos do marcador nas costelas, essa prática violentíssima dos marcadores, que tanto abala o equilíbrio dos supercraques da Gávea.

Não troco o choro do meu caçula e a expressão no rosto do mais velho que me doem até agora, vinte ou vinte e duas horas depois da derrota consumada, por nada. O choro é amor, a tristeza é casca e vice-versa, e os dois ainda nem têm a consciência exata do tamanho da diferença do Vasco em relação a todos os outros clubes do Brasil, da América e do Planeta Terra. Já sabem que alguns times podem enfiar a trava da chuteira na canela do adversário em jogo decisivo, mas não o Vasco. Já começam a notar como a mídia joga junto com as arbitragens que marcam ou não a mesma falta do lado da área, a depender da camisa, como o narrador grita com certeza a falta contra e avisa, sem mudar de tom, que o árbitro decidiu marcar falta a favor do Vasco. Mas ainda não têm, os dois filhos, pela tenra idade, a consciência tranquila e inabalável de quem viu o que viu desde 1977, aos cinco de idade, sobretudo de 1997 ao aniversário de 29 anos, no dia 18 de janeiro de 2001, quando o SBT na camisa (que tem valor equivalente, pelas contas exatas da matemática avançada, a 48 milhões, 458 mil e 998 rebaixamentos) foi a senha para a mídia rasgar a fantasia e entrar de cabeça no projeto de tentativa de destruição do Vasco, que culminou no embrião dos golpes jurídico-midiáticos que assolaram o continente, antes de Honduras, do Paraguai, do Brasil, do Peru e da Bolívia, um golpe com participação ativa de um dito jornal e de um dito jornalista, que não provou nem apurou nada, mas serviu para que a Justiça alterasse o resultado da eleição para presidente do Vasco em 2006, e tirasse o presidente eleito para botar outro, e o time do nono lugar foi caindo, caindo até fornecer o espetáculo do primeiro rebaixamento do Vasco, com a culpa, segunda a mídia atuante, sendo toda do presidente que tinha saído, claro, e não do que tinha entrado.

Não troco o choro desesperado, gritado, do meu filho caçula no Maracanã, ontem, nem a dor que era nítida no rosto impassível do mais velho por nada porque, graças a todos os deuses, de todas as religiões e da Bola, eles são e amam incondicionalmente o Vasco, e logo terão a mesma consciência, a mesma casca de quem sabe que o time deles não é o 01, nem 02 nem 03 nem 04. O Vasco é o outro, o 0último na escala, o clube que sempre afrontou aquele que não deveria ser afrontado, que vence a primeira entre eles na história, de virada, depois mete sete e depois inaugura com 2 a 0, dois de Niginho, o campinho da Gávea, do clube de elite com pouca torcida que foi escolhido em dado momento da década de 1930, pelas elites que controlavam os jornais, para ser o time “popular”, e assim enfrentar a força genuinamente popular, incontrolável e espontânea, que surgira com os Camisas Negras do Vasco. O 01 virou o clube do povo, até do indígena, enquanto o Vasco, que abriu suas portas a todo tipo de gente, de todas as cores e classes, virou somente o clube do colonizador nas páginas da mídia esportiva e até hoje, volta e meia, surge uma tese, uma nova abordagem sobre o tema pra tentar dizer que não, não era bem assim, o 01 e os demais eram racistas, sim (porque negar o que foi escrito em jornais, atas, documentos e regulamentos fica muito difícil), mas o Vasco também era, gritam as novas teses, as teorias com a profundidade de piscinas infantis, todas elaboradas por não-vascaínos e baseadas sempre, única e exclusivamente, em fontes notória e publicamente fanáticas pelo 01. As próprias autoridades governamentais do estado e da cidade do Rio de Janeiro, que entregaram o Maracanã ao 01, e este sublocou ao seu 0escada, ou assistente, ou sub nas mamatas, a própria Secretaria municipal de Educação lançou um livro destinado ao ensino fundamental que ignora o Vasco e mostra o 01 como o clube antirracista somente porque lá jogaram Domingos da Guia e Leônidas da Silva, que antes de jogarem no 01, jogaram no Vasco.

Não troco o choro desenfreado, fungado, do filho caçula ontem no Maraca por nada porque mesmo com tudo isso desde o início dos tempos futebolísticos, o Vasco ainda chega numa final, mesmo com a mídia atuando ativa ou passivamente, interferindo na eleição ou vendo a boiada da 777 passar sem um questionamento sequer durante todo o rapidíssimo processo, nem ao torcedor fanático do 01 que conseguiu se infiltrar como CEO, sim, CE fuck’n 0, do clube, trazido por mais uma diretoria imposta pelo Judiciário ao Vasco. Pois esse sujeito assumiu seu comando quando o time não estava no Z4 e, como em 2008, o Vasco foi caindo, caindo e no fim caiu, e o CEO fanático pelo 01 continuou no cargo, e foi o único comandante do futebol do Vasco a disputar uma Série B e não subir, justamente no ano em que ele “descobriu” a 777 para investir no Vasco, e no ano seguinte tocou a venda e, com o negócio consumado, deixou de ser CEO do Vasco e passou, vejam que engraçado, para a 777, e continuou a comandar o clube agora com novo dono. Conflito de interesses? Não, a mídia esportiva, inclusive os especialistas econômicos dela, não questionaram nada. Sorte do Vasco que a 777, ambiciosa, tentou estender seus tentáculos para o Everton, e o tradicional rival do Liverpool teve a sorte de estar num país onde a imprensa ouviu o nome desconhecido, 777, e procurou saber que raio de empresa era aquela que queria comprar o Everton. Já a mídia tupiniquim, aqui, foi só festa e apoio irrestrito aos ianques trazidos pelo CEO não vascaíno.

Não troco o choro do filho caçula ontem no Maraca por nada porque ele torce para o time mais atacado, por todos os lados, e que mesmo assim proporciona a troca do choro, da tristeza para a imensa alegria, desvairada, quando Andrés cruzou e Nuno cabeceou, e o Maraca explodiu como em 1974, com o gol de Jorginho Carvoeiro, depois de ele ter feito o primeiro dele no primeiro tempo daquela final, que seria o 2 a 0, se o gol legal não tivesse sido anulado por mais um impedimento inventado, e até hoje este lance é escondido, jamais mostrado, quando os chorões perdedores voltam a se lamuriar por um outro lance no fim do jogo, para dizer que o Vasco foi beneficiado, numa final em que o Vasco teve um gol legal anulado. Imagina comparar isso com a final de 1980... E pouco mais de uma semana antes da decisão explodimos os três, no Maraca, com o gol do Pirata no último minuto, na virada sobre o querido freguês, e na final, cerca de meia hora depois da explosão, de Maraca balançando, pulsando, veio de novo o choro da tristeza do caçula com o gol adversário, ele que viu o gol do Payet em 2023 contra o América, com a benção de Roberto, da arquibancada de São Januário, e garante que se lembra de quando, aos três de idade, foi jogado para o alto pelo doido do pai (que não deixou ele cair, diga-se de passagem), quando Nenê marcou no último minuto decretando mais uma virada sobre o velho freguês das Laranjeiras, no Brasileiro de 2017, e veio o não silêncio do mais velho, que gritou até o fim e além desse gol de Payet vivenciou, aos 12, na mesma arquibancada, tudo o que aconteceu contra o Bragantino naquela última rodada. Esse já tá com mais casca e também, em meio à tristeza, conseguiu se divertir, como eu, com a alegria desmedida, ardida, de nossos fregueses dos vitrais das Laranjeiras, os mais felizes, talvez mais até do que o pessoal do 02, com o resultado da final. Um alento para todo vascaíno, nesse momento difícil, constatar o quanto doeu pra eles mais essa nossa estocada, e ainda encerrando a carreira do Monstro no time deles, o chorão que vazou do 7 a 1 e de novo, 19 anos depois, foi eliminado pelo Vasco numa semifinal de Copa do Brasil. Tchau, Monstro freguês!!! Volte sempre.

Não troco o choro do filho caçula nem a dor silenciosa do mais velho por nada, mas também condoo-me, sim, com o choro e a tristeza das crianças e adolescentes torcedores e torcedoras do 01 na quarta-feira, quando o VAR anulou um gol do rival europeu, depois deu um pênalti pro queridinho dele e da Gávea, depois ignorou um pênalti idêntico para o campeão europeu, no tal lance em que narrador e comentarista exaltaram o desarme na bola, e assim o 01 conseguiu ficar perto, pertinho da glória e aí, nessa hora, os pequenos torcedores do time que pode empurrar dentro da área, puxar, socar o peito do marcador e enfiar a trava na canela adversária, que precisou expulsar dois do lanterna do campeonato porque o time reserva do melhor elenco do continente tava perdendo de 1 a 0 e jogando todo borrado, esses torcedores agraciados com tantas taças, mas sem poder se aprofundar muito nas histórias delas para não encontrar nada desagradável, viram seus ídolos endeusados pela mídia amiga fazerem, na hora H, aquilo que popularmente é chamado de peidar na farofa. Nem um nem dois nem três, mas quatro pênaltis perdidos, e o super melhor artilheiro de todos ainda pediu mais VAR, depois de dar sua paradinha garça na lagoa, perninha no alto, dobrada e parada, e bater fraco, no meio do gol, em cima do goleiro, e aí não tem como não imaginar os caras na cabine do VAR, um virando pro outro e falando: porra, já anulamos gol, já demos pênalti, já ignoramos outro pênalti contra eles e o cara ainda pede nossa ajuda de novo depois de cobrar desse jeito? É o costume de jogadores, torcedores, dirigentes, narradores, repórteres e comentaristas que também bradavam revoltados nessa hora: cadê o VAR? É por isso que as crianças e adolescentes arregimentados para o lugar comum do 01 podem comemorar muitas taças, sim, muitas conquistas, mas nunca viram nem nunca verão, nem eles nem seus pais, nem seus avós e bisavós nunca viram o time deles ficar com um a menos numa final de campeonato, nunca, jamais viram, então, o time deles vencer um campeonato com incrível poder de superação, de fato, como o Vasco da Mercosul de 2000, como o Glorioso do bairro ao lado deles, na mesma Libertadores, exatamente no ano anterior ao da enfiada de travas na canela solamente amarelada. E de acordo com a matemática avançada, nas contas da história e dos deuses da Bola, a Libertadores de 2024 vale o equivalente a 450 Libertadores de 2025, comparando a maneira como as duas foram conquistadas.

Não troco por coisa alguma o choro do filho caçula que estancou por poucos minutos já na escada de saída, durante as últimas investidas na pressão que não parou, até o fim, do Vasco, com o filho mais velho também parado e olhando e o time correndo, rondando, tentando, e GB de voleio, por cima, depois Matheus França isolando, e então decidi por sair um pouco antes, eu e filhos destroçados, mas aplaudiríamos o time, sim, junto com a torcida que ficou até o fim, reconhecendo a raça, a entrega de jogadores não tão caros, que erraram, alguns, mas não fizeram como os supercraques do 01 na quarta-feira. Perderam, sim, mas na farofa não peidaram. Perdemos, sigamos, ainda como o primeiro campeão continental e o primeiro campeão intercontinental da história, pra sempre, ainda com nossas conquistas únicas, daquelas que só o Vasco tem no Brasil, como a Libertadores na semana do Centenário, ou em todo o mundo, como a maior virada da história, aquela que só poderá ser superada daqui a mil anos. Sigamos ainda como o clube com maior número de gols em um jogo só de Copa do Mundo, sete, nos 7 a 1 a favor no quadrangular final de 1950, em casa, contra a Suécia, quatro de Ademir, dois de Chico e um de Friaça, e Ademir, com esses quatro, é até hoje o jogador brasileiro com mais gols num jogo só de Copa, e também o maior artilheiro brasileiro numa só edição, com nove gols no total. 

E ainda temos, pra sempre, Pelé aos 16 surgindo para o mundo com a camisa do Vasco, e temos Bellini, que como capitão do Vasco ergueu pela primeira vez a Jules Rimet e virou estátua, e Orlando ao seu lado na zaga, ele que ganhou do Real e goleou Benfica e Barça na Europa, junto com Vavá, um ano antes de fazer dois gols na final de 58, e depois mais um na decisão de 1962, para se tornar o primeiro jogador a marcar em duas decisões de Copa, ele, Vavá, do Vasco. Sigamos com todas essas conquistas, também com nossas derrotas, cascas, sabendo que a despeito dos patamares dopados, apostados e depois liberados, o Vasco, desde 1923, jamais deixará de ser o time com a maior História. 

E o filho mais velho depois falou com a mãe, que me contou, ele disse a ela que estava triste, muito, mas que também estava um pouco feliz, sim, por ter visto o time dele na final, no Maraca. E o mais novo chegou quebrando a casa, só um boneco do Vasco, na verdade, e que já estava meio quebrado, ele que no jogo derradeiro do Brasileiro de 2023 ficou em casa e quebrou a porta do nosso quarto, batendo com força no gol do Bragantino, e aí fico imaginando de onde, meu Deus, ele tirou isso, eu que aos nove ou dez anos estilhacei um copo de vidro com o escudo do meu time na pia da cozinha, depois de uma derrota ouvida no rádio para o saudoso Campo Grande, o Campusca, no lendário gramado de Italo Del Cima. O caçula quebrou só esse boneco, jogando longe, mas ficou um tempo considerável gritando e chorando na volta pra casa, maldizendo o time, e postou que ia mudar de time, depois postou que ia pensar e no dia seguinte, na cama ainda, acordando, no abraço e no beijo de bom dia ele olhou pra mim e mandou: pai, agora é a Sula.

Não tem igual nem maior.

É Vasco.

Sigamos.   

Pitacos em itálico

...e no primeiro dia do mês de março aconteceu a prévia do que aconteceria na final da Libertadores, em novembro. No começo do primeiro tempo do primeiro jogo entre o Vasco e o clube das papeletas amarelas, de Wright e do ladrilheiro, pela semifinal do Carioca de 2025, o lateral-direito deles (...) deu no meio de Vegetti e tomou apenas o amarelinho.


De novo, mais uma vez, a praia. Primeiro campeão mundial de futebol de areia, tetracampeão da Libertadores e maior detentor de troféus nacionais, regionais e estaduais do Brasil, o Vasco não passou 2025 sem conquistar mais um título importante na categoria, honrando o próprio nome, e dessa vez com emoção. Bicampeão da Copa do Brasil da categoria, em 2012 e 2014, o Vasco dividia o topo do ranking de campeões com o Sampaio Correia, bi em 2016 e 2017/18. Campeão em 2013, o queridinho da mídia, do VAR e da Gávea conseguiu chegar à final este ano, em João Pessoa (PB), e poderia se igualar aos dois neste topo, e estava quase, quase se igualando, ganhando finalmente, depois de tantas derrotas, uma final contra o Vasco até faltarem 10 segundos para o fim, quando o maior campeão das praias brasileiras e sul-americanas, o primeiro campeão do mundo empatou o jogo, e com gol de goleiro, o já histórico Rafa Padilha. Bokinha foi outro veterano histórico a participar dessa conquista, que isolou o Vasco, maior campeão brasileiro da categoria, com o Tri de 2017, 2019 e 2020, também como o maior campeão da Copa do Brasil, igualmente Tri.

Outra conquista deste ano, carregada de simbolismo, foi a Copa do Brasil Sub17, numa vitória nos pênaltis contra o Bahia, mesmo adversário da final da Copa do Brasil Sub 20 de 2020, a primeira conquista nacional oficial do clube no futebol de base. Com a torcida marcando presença no estádio Luso-Brasileira, da coirmã Portuguesa da Ilha do Governador, esta foi a primeira Copa do Brasil Sub 17 organizada pela CBF conquistada pelo Vasco, mas não foi a primeira do clube. A primeira foi a primeira de todas, a Copa do Brasil Sub 17 de 2008, organizada pela Federação de Futebol do Espírito Santo, e que teve na finalíssima o Vasco, de Allan e Philippe Coutinho, contra o Santos de um garoto que estava começando a chamar atenção, chamado Neymar.

Pois não é que justamente neste ano da conquista da Copa do Brasil Sub17, que relembrou aquela primeira conquista de 2008, justamente neste ano Coutinho e Neymar voltaram a se enfrentar num Vasco x Santos, e aconteceu aquilo que todos viram acontecer no gramado do Morumbi. Seis a zero Vasco, num show de bola regido por Coutinho, que fez dois gols, um deles de cavadinha, e Neymar deixando o gramado às lágrimas, o que vale, de acordo com as contas exatas deste blog, quatro ou cinco Brasileiros desses de pontos corridos, que, pelo histórico de entregas e manipulações desse modelo, valem bem menos do que os da época do mata-mata.

Falando em mata-mata, não é que o Vasco pegou o superfavoritaço da mídia, do VAR e da Gávea na semifinal do Carioca, e as previsões foram as de praxe: vai ser um massacre, não há a menor chance para o Vasco e assim por diante, e no primeiro dia do mês de março aconteceu a prévia do que aconteceria na final da Libertadores, em novembro. No começo do primeiro tempo do primeiro jogo entre o Vasco e o clube das papeletas amarelas, de Wright e do ladrilheiro, pela semifinal do Carioca de 2025, o lateral-direito deles tido como dos melhores do mundo, que poderia escolher o clube que quisesse na Europa, segundo seu técnico, deu no meio de Vegetti e tomou apenas o amarelinho, mantendo o querido e muy ajudado clube do Gávea como o único, na história, a jamais ter tido um jogador expulso no primeiro tempo de um jogo decisivo. No onze contra onze até o fim, o Vasco perdeu por 1 a 0, com um gol de Bruno Henrique que, pela precisão e força do chute, nos leva a crer que para este jogo, como em tantos outros decisivos, ele caprichou no colírio.

Um a zero, apenas, e nas análises e comentários todos concordavam que tinha sido um verdadeiro massacre, inclusive aquele que dá a entender que é vascaíno. Sim, abriu-se esse espaço na mídia esportiva corporativa, entre tantos que revelam seu flanatismo com as opiniões de sempre, um deles pode ser o “vascaíno”, mas esse tem que ter muito cuidado, precisa ponderar bem antes de falar, para não contradizer o script do que, no entender dessa mídia, deve pensar um vascaíno. E no jogo seguinte, no começo do primeiro tempo, Nuno Moreira mostrou que tinha mesmo estrela e o Vasco ficou logo a um gol de eliminar o super maior time brasileiro de todos os tempos, e então veio ele de novo, medicado, apostado e tudo certo, tudo maravilhoso que ele é o mais decisivo, Bruno Henrique, que fez o gol impedido, e aí veio aquele que de fato é o mais decisivo nos títulos do clube do goleiro capitão campeão de um brasileiro entregado, mandante de sequestro, feminicídio e esquartejamento: o VAR, sem medo de críticas nem vergonha quando faz o que fez nesse jogo, em que traçou essa linha aí da foto acima e decidiu, na cara dura, que não foi impedimento, revelando o mesmo receio de perder para o Vasco que tiveram quando o super campeão da Toyota Cup 81, com o grande galinho amarelinho em campo, mais Adílio, Andrade, Leandro e Júnior, precisou do ladrilheiro pra não perder a terceira seguida para Dinamite, Orlando Lelé, Ticão e cia. Depois o superpoderoso time que saiu ileso, sem culpa, do incêndio que matou dez de seus meninos virou o placar e venceu, pela vantagem mínima de 2 a 1. E o que disse o “vascaíno” da mídia esportiva corporativa? Falou, única e exclusivamente, da diferença abissal existente no momento entre os dois times, sem nem tocar no desagradável assunto do impedimento de Bruno Henrique, muito menos na não-expulsão do super lateral que seria convocado e entraria como titular da Seleção Brasileira no hoje histórico 4 a 1 tomado da Argentina, a maior derrota para a maior rival numa eliminatória, com uma atuação bisonha deste super lateral-direito, tremendo como tremeu na Copa do Mundo de Clubes, durante o passeio de verão do Bayern de Munique, ele que, diante de todos os clubes da Europa que poderia escolher, segundo seu técnico, acabou na Roma
, e claro que, na disputa pela vaga na Copa do Mundo, todos os especialistas continuam colocando ele à frente de quem estreou como titular da Seleção fazendo gol em sua primeira convocação, no caso, o vascaíno Paulo Henrique.



segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Quando começam as viradas

 

                                    

Uma assistência mágica para Vegetti no primeiro gol, de cobertura e com cavadinha, e depois um gol de primeira, de voleio, pra sacramentar a vitória por 2 a 0 com a melhor atuação desde a volta justamente no único jogo do ano escolhido para assistir ao vivo com os filhosum de 13 e outro de 11 anos, os dois vendo pela primeira vez na vida, bem em frente a esses dois lances lindos, o Philippe Coutinho.         

Passado o drama de 2023, conquistada a permanência na Série A, parecia que 2024 seria um ano de continuidade, com Dom Ramon y su hijo a trabalharem mais tranquilos na formação do time e grande expectativa em cima de Payet, um dos salvadores da pátria em 2023, quando estava um pouco gordinho, e que se apresentou no início de 2024 tendo se preparado nas férias, seco, fininho. Um gol de placa do francês contra o Bangu logo em janeiro deu muita esperança, mas no mesmo jogo o Medel ajudou a arbitragem mais que tendenciosa a inventar um pênalti no finzinho, mostrando que a turma veterana casca-grossa ferrabrás formada pelo trenero también veterano y casca mais grossa ainda pra livrar do rebaixamento na raça, na camisa, do jeito que dava, já tinha excedido seu prazo de validade.

O Carioca ainda teve a vitória de 4 a 2 sobre o Botafogo, mantendo o hábito salutar e cortês de meter quatro no rival carioca que viria a ganhar no ano a Copa do Brasil Libertadores, hábito esse iniciado em 2019, contra um certo supertime turbinado por apitos, vares e colírios, e mantido em 2023, contra o futuro campeão da Liberta Nutelinha, um jogo só na final, e em casa. No fim do Cariocão, no entanto, ficou a decepção histórica de pela primeira vez, em se tratando de mata-mata, ser eliminado por um time dos chamados pequenos, no caso, o brioso Nova Iguaçu.

O início claudicante no Brasileiro, apesar da vitória inaugural contra o Grêmio, no Caldeirão, sacramentou a saída de Dom Ramon após uma goleada daqueles inadmissíveis, de 4 a 0 para o Criciúma dentro de São Januário. Antes, quando o time já dava a certeza que Ramon y su hijo tinham perdido a mão, aconteceu o primeiro milagre do ano, a não eliminação na segunda fase da Copa do Brasil depois de abrir 2 a 0 e tomar a virada dentro de casa para o Água Santa, finalista do campeonato paulista. Um gol salvador de Piton, nos acréscimos, e o início do bom desempenho nos pênaltis garantiram a continuidade na competição que viria a ser a mais importante do ano.

Entrou Rafael Paiva como interino e, contra todas as previsões previsíveis dos ditos especialistas, o Vasco eliminou o bom time do Fortaleza na Copa do Brasil, com grande atuação de Léo Pelé na ida, no Castelão, e um jogaço na volta, 3 a 3 no Caldeirão, com nova vitória nos pênaltis e grande noite, entre outros, de Piton, Payet, Pumita, Vegetti e Léo Jardim. Nisso já tinha acontecido o segundo milagre. Alçado à Presidência do CRVG com o apoio de uma maioria esmagadora de apoiadores da inacreditável 777, inclusive alguns privilegiados que tiveram a rara oportunidade de ler o contrato da nossa SAF sem plata, Pedrinho e sua diretoria conseguiram, numa manobra jurídica, retomar o controle do futebol do clube e, dessa maneira inesperada, salvar o Vasco da bancarrota generalizada de nossos investidores falidos, denunciados e investigados, mas não pela mídia especializada tupiniquim.

Hoje são fartas, escandalosas as evidências do quanto foi enganosa, desde o início, a tal da 777, do quanto foi prejudicial ao Vasco esse negócio tido como única solução por toda a mídia corporativa dita especializada e por quase todos os pseudojornalistas das mídias sociais de hoje em dia. O processo foi rápido, atropelado, carregado de suspeitas e com um gritante conflito de interesses envolvendo o sujeito que mandava de fato no Vasco na época e “descobriu” essa empresa que ninguém conhecia, sujeito, diga-se de passagem, sabida e notoriamente flamenguista, mas tudo foi naturalizado por narradore(a)s, repórteres e comentaristas, inclusive por especialistas, ditos, em grana, economia, todos bradando em uníssono que a 777 era salvação, o único caminho.

E agora, quando mais do que claro está o que era a grande empresa 777 hoje desaparecida, uma empresa que não pagou nada da dívida do clube, que nada mais fez durante sua “gestão” do que rodar os recursos que o Vasco já recebia por ser o Vasco, verbas de TV, de publicidade, de venda de jogadores, e fazê-los rodar por seus paraísos, depois da manobra de Pedrinho e sua diretoria, essa mídia que nada viu de errado, que só incentivou o acordo com a 777 e a porta giratória do executivo flamenguista, do Vasco pra 777, com carta branca pra dispensar Paulinho por menos dinheiro do que aceitou pagar (em prazos longos, a perder de vista) por Léo Pelé, Pedro Raul e Orellano, a mídia agora assovia pro alto como se não fosse com ela, e continua a tratar do tema como se a culpa de tudo fosse só do Vasco, sem contestar nada do processo de escolha da empresa, do conflito de interesses do flamenguista, das decisões de contratar Orellano e não Paulinho, nada, tudo tranquilinho, e como uma última cartada da 777 no Vasco, presente de grego deixado pra Pedrinho, veio o treinador português da boina, pra fazer com que o ano de 2024 fosse mais um daqueles para homenagear com nossa gratidão eterna o inesquecível, artilheiríssimo Russinho.

Quatro gols fez Russinho no 7 a 0 em cima do nosso primeiro vice, no nosso primeiro campeonato, em 1923. E no ano dessa goleada, 1931, o 7 a 0 foi, curiosamente, a sétima de oito vitórias seguidas do Vasco em cima do varmengo, entre 1928 e 1931, até hoje o recorde do confronto, assim como o recorde de invencibilidade, seis anos, a maior goleada, o artilheiro da história, o artilheiro de um jogo só e passa a régua. E se a goleada deles na estreia do boina não foi de sete, nem a zero, foi também com um jogador a mais durante todo o segundo tempo e um pouco do primeiro, enquanto a nossa foi no 11 contra 11, tudo limpinho.

Outra amenizada em mais esse vice do rival das papeletas amarelas, vice de maior goleada, foi a notícia confirmada do terceiro milagre, esse dos mais inesperados, porque ninguém esperava, nem o vascaíno mais otimista, que o ano de 2024 seria o da volta ao Vasco, simplesmente, de Philippe Coutinho. Aos 32 anos de idade, com muita lenha pra queimar ainda, o maior craque brasileiro da história da Premier League retornou porque quis e ainda trouxe de volta outros dois crias, Souza e Alex Teixeira, esse reparando uma injustiça cometida no fim de 2023, insuflada pelos especialistas de sempre da mídia, Só os rumores da volta, antes de Coutinho confirmar que vestiria de novo a camisa do clube, já renderam uma energia extra ao time, que logo estava sendo comandado novamente por Paiva, num jogo com boicote de torcida, com São Januário quase vazio, à noite, muitos desfalques no time, tomando o gol do São Paulo e conseguindo não só a virada, mas uma goleada de 4 a 1.

Os rumores foram se confirmando, com o próprio Coutinho, em carne e osso, chegando no aeroporto e afirmando que todo mundo sabia que, sim, ele tava voltando. Aí, pra não ficar assim muito evidente a inveja de alguém desse nível nunca voltando aos 32 para o queridinho, teve alguma cobertura festiva, com funk e tudo, da mídia corporativa, mas sempre com ressalvas, sobre contusões, sobre o custo-benefício, como se a volta de Philippe Coutinho ao Vasco, aos 32 anos, pudesse ser de alguma forma uma má notícia para vascaínas, vascaínos e vascaínes. E para isso retomou-se a campanha de ódio injustificável contra Souza e contra Alex Teixeira, com robôs xingando e ameaçando nas redes sociais e comentaristas ajudando e focando críticas nos dois, num modus operandi que este blog aqui só pode compreender como ódio supremo, incontrolável, a tudo que vem do Vasco, aliado à esperança de criar rixas, conflitos, de tumultuar o ambiente.

Só que os ventos trazidos pelas boas notícias, da volta iminente dos crias, deixavam o ambiente mais leve em São Januário e no CT Moacir Barbosa, e o time emendou quatro vitórias seguidas no Brasileiro depois de 12 anos sem fazer isso. Dois a zero no Fortaleza em casa, depois 2 a 1 no Inter no primeiro jogo depois da enchente, no retorno ao Beira-Rio. Em seguida veio o descarrego, a vitória, enfim, depois de 14 anos de braço na bola, pênaltis não marcados e gols legais anulados, contra o Corinthians, com belo gol de Piton e golaço de Sforza, e pra sacramentar mais um golaço de David pra ganhar do Atlético Goianiense fora de casa, justamente o adversário das oitavas de final da Copa do Brasil indicado pelo sorteio, e tudo isso antes da reestreia de Coutinho.

E calhou de ser difícil a volta, três partidas fora de casa seguidas no retorno de Philippe Coutinho, derrotas para Galo e Grêmio e um empate salvador da dupla Piton-Vegetti no jogo de ida contra o Dragão. Nesse jogo, a propósito, Coutinho até que começou a dar mais o ar de sua graça, mas sentiu um pouquinho, câimbra no abdômen, pareceu. Nada que o tirasse do jogo seguinte, a reentrada, finalmente, no solo sagrado de São Januário, contra o Bragantino. No dois a dois que teve gol de Adson e o primeiro como profissional de GB, Coutinho entrou no segundo tempo e foi bem, desenvolto, evoluindo, mas num treino dois ou três dias depois do jogo, Coutinho sentiu e aí durou mais tempo, emendou com um covid e nosso craque ficou de fora das decisões da Copa do Brasil.

Na primeira delas, com Caldeirão lotado contra o Dragão, foi chorado, um gol quase sem querer de Lucas Piton com a bola meio que murchando e desviando de dois zagueiros e do goleiro, devagarinho. Contra o Furacão foi mais tenso ainda. Pela terceira vez foi nos pênaltis, e pela terceira vez nossos cobradores não erraram, e nosso goleiro compareceu, depois de assistência de peito de Rayan e chutaço no ângulo, sem deixar quicar, de Puma Rodrigues, e de Hugo Moura virando no finzinho, e depois Rayan expulso no primeiro tempo na arena atapetada deles com 2 a 0 contra e a eliminação pertinho. Então cruzou Piton, mais uma vez na cabeça ou nem tanto do Vegetti, que deu mais uma vez seu jeito para se igualar ao saudoso, folclórico e lendário Valdiram, primeiro e até então único artilheiro isolado da Copa do Brasil com a camisa do Vasco, com os mesmos sete gols do argentino. 

Mais de um mês ficou de fora do time o Coutinho, e voltou pra ficar no banco, no Maracanã e contra, vejam vocês, o superpoderosamentevarturbinado flamengo. Um massacre, como sempre dizem narradores, repórteres e comentaristas nos últimos anos, não importa o placar, quando o jogo é Vasco x flamengo, um baile do mengão, claro, e assim estavam dizendo todos eles no primeiro tempo, que terminou 0 a 0, e durante quase todo o segundo, antes e depois de Gérson abrir o placar e antes e depois de entrar em campo, no lugar de Payet, o Coutinho.

Rayan então fez boa jogada pela direita, desde o campo do Vasco, e lançou na esquerda pra Emerson Rodrigues que cambou pra lá, bailou pra cá e revirou o jogo pra direita, pra Pumita, que chegou cruzando forte e baixo, na medida certa da testa do Camisa 11 que vinha na corrida, no embalo, e só cumprimentou, e imaginem todos agora o narrador ou narradora, repórter ou comentarista apaixonado tendo que engolir e narrar, e comentar e não xingar pelo fato de ter sido o queridinho, justamente, a levar o primeiro gol da volta do Coutinho, e um gol que ainda por cima tirou do time deles dois pontos, quando todos eles ainda sonhavam com título.

Depois, na semifinal da Copa do Brasil contra o Galo, no jogo de ida na casa deles, novamente Emerson Rodrigues bailou e bagunçou pela esquerda e serviu ele, Coutinho, que entrou na área driblando e tirando do goleiro para abrir o placar. Dois gols agora na volta, um contra o maior rival, o primeirão, no Maraca, e o outro no jogo mais importante do ano até ali, e assim começava a retornar ao Vasco o Philippe Coutinho. Mas o Galo virou, com Paulinho, e no jogo da volta, apesar de Vegetti garantir de vez a artilharia, Hulk acertou um chute e dali o time desandou.

Com a exceção de uma vitória chocha contra o Cuiabá e outra rara grande atuação de Payet, fazendo dois, um deles golaço, contra o Bahia, vieram algumas derrotas seguidas, voltou a vaga, pequena possibilidade de rebaixamento e com isso caiu o Paiva, e quem assumiu na reta final, como interino, foi o Felipe. Cria na Presidência, crias voltando e como treinador, para encerrar a temporada, mais um cria. E se Souza realmente não conseguiu se destacar e ainda teve a infelicidade da expulsão contra o Juventude, Alex Teixeira teve o seu momento na temporada, um jogo quase como aquele do Operário na Batalha de Ponta Grossa, quando o time, no primeiro jogo do Felipe, tomou 2 a 0 do Atlético Goianiense dentro de São Januário, e então entrou o velho cria.

Uma assistência de Maradona ou Messi, porque o Alex Teixeira passou por três, quatro, driblando e correndo e tocando em fração de segundo para o suíço gente boa que caiu de paraquedas na colina diminuir: e depois de novo ele, Alex Teixeira, com arranque de Romário, daqui prali dentro da área em centésimos pra chegar antes do goleiro, empatar e livrar definitivamente da queda, conseguindo o pontinho que na rodada seguinte, garantiria a Sula com nova boa atuação dele, Alex Teixeira, mas nesse jogo não tem como não destacar o Coutinho.

Uma assistênciamágica para Vegetti no primeiro gol, de cobertura e com cavadinha, e depois um gol de primeira, de voleio, pra sacramentar a vitória por 2 a 0 com a melhor atuação desde a volta justamente no único jogo do ano escolhido para assistir ao vivo com os filhosum de 13 e outro de 11 anos, os dois vendo pela primeira vez na vida, bem em frente a esses dois lances lindos, o Philippe Coutinho. E num jogo que garantiu a volta a um torneio continental depois de cinco anos e deu esperança de um time em 2025 com os crias cada vez mais se condicionando, entrosando, engrenando, e o sonho cada vez mais se consolidando. Coutinho voltou, aos 32, e isso é lindo.

Pitacos em itálico

Foram 922 os votos que pensaram como o(a) profissional da mídia esportiva e escolheram, como pior contratação, o Coutinho, e o pior é que pelo menos uns 20 desses votos devem ser de gente que se diz vascaína. O resto, com certeza, é o voto natural de flamenguistas, tricolores e afins, para quem a volta do Philippe Coutinho ao Vasco aos 32 anos de idade é a pior contratação do ano, claro. 

É Tetra!!! Pode gritar Galvão Bueno, Pelé do além e toda a torcida vascaína, porque o fim deste ano reservou mais um torneio continental para o futebol do Vasco. Futebol de areia, ou beach soccer, pra ficar mais global, afinal o Vasco é o primeiro campeão mundial de clubes da categoria e no domingo, 8 de dezembro, venceu por 5 a 2 o Sportivo Luqueño em Luque, no Paraguai, para ampliar sua vantagem como maior campeão sulamericano da praia ao conquistar a Libertadores pela quarta vez em sua história. Teve dois gols de Bokinha, teve até gol de Catarino, ídolo, para o adversário, e teve o gosto especial de tirar o varmengão da disputa, porque o Vasco conseguiu a classificação para representar o Brasil na Libertadores ao vencer o flamengo na final da Supercopa do Brasil de Beach Soccer em Brasília, em setembro, por 5 a 4, mantendo o rival com o total de zero títulos internacionais na categoria.

E por falar em Libertadores, foi de novo a taça mais cobiçada pelas torcidas do continente usada pelos deuses da Bola pra pregarem das suas, dessa vez não só com o queridinho da mídia esportiva carioca corporativa, mas também com seu escada, assistente, Robin, Ringo ou Dedé Santana, o fluzão agraciado com a Libertadores Nutelinha de 2023, que lutou pra não cair o Brasileiro inteiro e viu seu maior rival, logo no ano seguinte de sua inesquecível conquista dentro de sua casinha (porque estádio alugado, tungado, não é casa, é casinha), tomar dele a condição de detentor da Taça de maneira muita mais épica e ganhando junto, intercalado, o Brasileiro, e nisso num recado direto dos deuses da Bola aos torcedores do queridinho, que com seus sonhos de grandeza, endossados por eles mesmos, da mídia, viram dois de seus rivais diretos ganharem também a Libertadores que eles tanto prezam e valorizam, mesmo com Wright, com expulsão de jogador adversário no primeiro tempo da final ou com carrinho de pé mole de argentino, com o detalhe de que tanto fluzão quanto fogão, nas suas campanhas de título, eliminaram com certa facilidade os adversários internacionais, Olimpia e Peñarol, que tinham acabado de eliminar o supervarmengão do apito, queridinho. Em suma, mais um dos recados futebolescos divinos que querem dizer, no fim das contas, que diferente mesmo é ser o primeiro de todos, no mundo, ou ganhar essa Libertadores no ano do Centenário. No ano, não. No mês. Não, campeão da Libertadores na semana do Centenário e isso, juntando com o Sulamericano de 1948, como afirmaram de novo esse ano os deuses da Bola, por suas linhas tortas, só vascaíno.

O(a) profissional da mídia esportiva corporativa torcedor flanático ouviu no meio do ano os primeiros rumores e claro que não acreditou. Só podia ser sonho, de novo, de vascaíno, pensou ela(e) que mesmo nos tempos áureos de Liverpool jamais perdera a oportunidade de minimizar, invisibilizar ou mesmo criticar Coutinho. A venda estratosférica do Liverpool ao Barça, até hoje a terceira maior da história, não valia a pena, na opinião desse(a) profissional que tanto criticou no Barça, ele campeão espanhol, quanto no Bayern de Munique, onde o cria da Colina foi campeão da Champions, marcando dois gols no 8 a 2 contra o ex-time da Catalunha. Devolvido pelo Bayern ao Barça, Coutinho ensaiou a volta aos áureos tempos com algumas boas atuações no retorno à Premier League, no Aston Villa, mas acabou se contundindo perto da Copa do Mundo e daí, para felicidade e realização profissional d(a) profissional flanática(o) da mídia esportiva, o ex-aluno do Colégio Vasco da Gama caiu, de fato, de patamar, saiu da Europa, foi para o Catar e a(o) profissional da imprensa corporativa nunca iria imaginar que todo o trabalho de apagamento, de naturalização de verdades inquestionáveis das mais questionáveis, como, por exemplo, a que diz que Paquetá é melhor que Philippe Coutinho, que tudo isso faria uma hora com que o craque parasse, pensasse  e falasse, acompanhado ou sozinho: quer saber? Vou voltar pra Colina.

E depois de tremer, só um pouco, um tremelique quase imperceptível ao ver o Coutinho chegando no aeroporto e falando que todo mundo já sabia, o(a) profissional da mídia corporativa esportiva viu ele fazer o gol da volta tirando dois pontinhos preciosos do time dele(a), queridinho, e depois de ver a atuação contra o Galo, depois de tanto tempo parado, ainda fora de forma, teve a ideia de encher o espaço do site esportivo com uma enquete sobre a pior contratação da temporada entre os clubes da Série A, e não teve a menor centelha de dúvida, pelo contrário, teve certeza absoluta, claro, ao incluir entre a opções de voto, o Philippe Coutinho, que não ganhou, mas, vejam vocês, ficou em quarto lugar na enquete, bem à frente, por exemplo, de Renato Augusto. Foram 922 os votos que pensaram como o(a) profissional da mídia esportiva e escolheram, como pior contratação, o Coutinho, e o pior é que pelo menos uns 20 desses votos devem ser de gente que se diz vascaína. O resto, com certeza, é o voto natural de flamenguistas, tricolores e afins, para quem a volta do Philippe Coutinho ao Vasco aos 32 anos de idade é a pior contratação do ano, claro. 

domingo, 24 de dezembro de 2023

Linhas tortas


Depois do golaço com desvio de Paulinho e do empate do Bragantino, veio o alívio com nova grande jogada de Paulo Henrique e o cruzamento para o predestinado Serginho, e no ano em que os deuses da Bola manifestaram mais uma vez sua predileção, dessa vez por linhas tortas carregadas de repetições e ironias, o Vasco não caiu.

Obrigado, Alex Teixeira, Andrey Santos, Bambu, Bruno Praxedes, Cauã Barros, Erick Marcus e Figueiredo. Graças a Gabriel Pec, a Galarza, a Jair, a Léo Pelé e muito obrigado a Léo Jardim! Valeu, Maicon, Marlon, Mateus Cocão, Medel, Miranda, Orellano, Paulinho e Paulo Henrique! Gratidão a Payet, a Pedro Raul, a Piton, Puma, Rossi, Sebá e pra sempre seja louvado, Serginho! Toda honra e toda a glória ao nosso artilheiro Vegetti e palmas eternas a Zé Gabriel, para todos pela raça, pela entrega, pela virada quase impossível no ano que já começou importante, pelo Centenário do primeiro título, no primeiro campeonato dos Camisas Negras, e ficou mais importante ainda logo no oitavo dia, quando, exatos 10 dias depois da subida do maior de todos os camisas 10, Pelé, também vascaíno, quem se juntou lá em cima aos deuses da Bola foi o nosso maior de todos, maior do Brasil e do Rio. E viva, Roberto! Pra sempre Dinamite!

Gracias también, por supuesto, a Dom Ramon Diaz e a su hijo Emiliano, hermanos argentinos que chegaram para ressuscitar um time combalido por dentro, pelas escolhas de um ceo torcedor adversário, que escolheu um treinador ruim e igualmente mulambo, todos sob o comando da empresa mais suspeita possível. Foi então mais um campeonato com o Vasco onde gosta o sistema, lá embaixo, brigando pra não cair, enquanto os deuses da Bola aproveitaram esta temporada para dar seu recado punindo, com ironia e requintes de crueldade, toda a ganância e a prepotência de um só clube, que no fim de 2022 ganhou Libertadores e Copa do Brasil e se achou tão bom, mas tão bom, que sua diretoria decidiu demitir o treinador campeão das duas competições.

E antes dessa demissão, e da contratação do treinador vice do demitido, esse clube que se acha tão bom conseguiu virar meme celebrando a conquista da Libertadores. “Real Madrid, pode esperar!”, gritou o diretor fanfarrão, gritou, levantou o braço e entrou pra história, pra sempre o grito será repetido pra encerrar qualquer discussão com framenguistas, e justamente o Real Madrid, o mesmo da fla-Madrid, primeira torcida arco-íris que se tem notícia, pelo menos no Rio, o mesmo Real pentacampeão europeu seguido, na época bi, derrotado por Orlando, Vavá, Sabará e cia em Paris, 1957, no primeiro confronto entre um campeão sulamericano e um campeão europeu, no primeiro intercontinental, de fato, de clubes, e pelo mágico placar de 4 a 3.

Quatro a três e com o Palmeiras envolvido, vencendo dessa vez, foi também o placar do primeiro dos cinco vices do queridinho no ano, antes do vice do vice no Mundial, perdendo pro Al Hilal e com os deuses da Bola continuando a brincar com as repetições, não só porque foi o mesmo Al Hilal de 2019, quando o queridinho tinha que chegar na final pra ser vice do mesmo Liverpool de 81, sem ninguém bêbado em campo dessa vez, e com o goleiro sem ter se vendido, mas também porque o técnico do glorioso Al Hilal era Ramon Díaz, que treinava o River Plate em 1998 no Monumental, contra o Juninho.

Na Recopa Sulamericana, seguiu-se a repetição com o mesmo Independiente Del Valle de 2019, o mesmo também que meteu 5 a 0 no então campeão supervarmengão em 2020, que assim entrou pra história como o clube que sofreu a maior derrota na Libertadores ostentando o título de campeão. E o vice dele pro Del Valle foi com requintes de crueldade parecidos com o Racing de 2020, nas oitavas da Libertadores, gol salvador no último minuto, êxtase, delírio nas arquibancadas superfaturadas e tungadas do Maraca pra depois perder nos pênaltis com o autor do gol salvador perdendo a cobrança fatal. A diferença é que contra o Racing, do gol de William Arão no tempo normal foi direto pros pênaltis nos quais Arão perdeu sua penalidade, enquanto que contra o Del Valle, entre o gol de Arrascaeta e o pênalti perdido pelo uruguaio teve ainda toda uma prorrogação, o que foi ótimo pro Vasco, no caso, porque três dias depois foi o primeiro Vasco x Varmengo do ano, quando Puma mostrou que, além de ter de melhorar na marcação, tem uma certa estrela e um tremendo de um pancadão.

Se vencesse o Vasco nesse jogo, o flamengo seria campeão da Taça Guanabara, mas com a derrota deixou o flu encostar e, na última rodada, ultrapassar vencendo o fla x flu no finzinho. Mais um vice amargo pro superpoderosão que, logo depois, perderia a final do carioca de quatro, sim, tomando de 4 do Fluzão que seria usado pelos deuses da Bola no fim do ano, para mais uma estocada neste time que tinha pretensões de ser dominante no futebol continental e não conseguiu ser isso nem no Rio.

Já o Vasco até que começou bem o campeonato Brasileiro, vencendo o Galo no Mineirão, com Andrey Santos se despedindo, deixando o primeiro gol do time e também seu primeiro, e único, na Séria A, e Gabriel Pec começando a despontar como o grande jogador do time, se contarmos só quem jogou o Brasileirão do início ao fim. Tiveram ainda bons jogos contra Palmeiras e Flu, dois empates no Maraca, até que começou a surtir efeito o trabalho do CEO mulambo que preferiu gastar mais dinheiro pra trazer Orellano e Pedro Raul, em vez de optar em gastar menos para repatriar Paulinho. O treinador torcedor do vice do Del Valle também começou a fazer das suas, primeiro com uma declaração das mais infelizes na derrota em casa para o Santos, reforçando a narrativa de que rebaixamentos roubados, orquestrados junto com golpes jurídico-midiáticos para manter mulambos no comando do Vasco, contam mais que a história, que títulos estaduais, nacionais, continentais e intercontinentais; e depois rindo de piadas idiotas de perguntadores flamenguistas após o Vasco treinado por ele ser goleado pelo vice da Supercopa, da Taça GB e, de quatro, do Carioca.

Vieram mais derrotas até o jogo fatídico contra o Goiás, e no Centenário do primeiro título dos Camisas Negras e de todos os nossos clássicos no Rio, todos com vitória como o primeiro deles, contra o Botafogo, em General Severiano, vencido por 3 a 1 pelos caras da foto ao lado, e um ano após o Centenário do acesso, às vésperas do Centenário da Resposta Histórica e a quatro anos do Centenário de São Januário, nosso estádio construído sem ajuda governamental nem parceria privada, contando somente com a força e o amor dos vascaínos, nascido como o maior da América Latina, foi atacado novamente, de novo, mais uma vez o gramado pisado por Fausto, Russinho, por todo o Expresso da Vitória, por Zé do Carmo, Mazinho e Juninhos materializando todo o ódio ao Vasco que, não mais sem consequências, não pode ser exprimido pelo racismo.

“(...) vê-se que todo o complexo é cercado pela comunidade da Barreira do Vasco, de onde houve comumente estampidos de disparos de armas de fogo oriundos do tráfico de drogas lá instalado o que gera clima de insegurança para chegar e sair do estádio. São ruas estreitas, sem área de escape, que sempre ficam lotadas de torcedores se embriagando antes de entrar no estádio”. Apesar do português confuso (onde houve comumente?) e da ausência de uma vírgula básica, o texto acima é de um juiz de direito, o juiz de plantão do Juizado Especial de Torcedores e Grandes Eventos escalado para o Vasco x Goiás. Um juiz que julga baseado em sua opinião, certamente de um torcedor do time eliminado pelo Olimpia nas oitavas da Liberta, derrotado pelo único campeão no ano, no mês e na semana do próprio Centenário, único, claro, além do Vasco. Um juiz torcedor de um time sem estádio, que julga sem base em dados, porque se fosse se preocupar com isso veria as estatísticas do Instituto Fogo Cruzado, informando que o número de tiroteios no entorno de São Januário em 2023 foi de 22, idêntico ao do Maracanã, sendo que nos arredores do bem público tungado pela dupla dos brasileiros entregados houve morte, ao contrário do estádio do Vasco.

Mais novo personagem do teatro de horrores do preconceito contra um só clube, o juiz, com seu parecer emocionado, entregou de bandeja ao promotor acusador, esse figurinha repetida. Não se tem notícia, no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), de qualquer pedido de destituição da diretoria do Flamengo pela tragédia do Ninho, dez mortes, de dez meninos. Em 2006, no entanto, o MPRJ, na entrada em cena desse promotor repetido, pediu a destituição da diretoria do Vasco por causa de pontos de venda de ingressos para a semifinal da Copa do Brasil entre Vasco e fluminense, aquela mesma decidida pelo artilheiro daquela Copa do Brasil, o saudoso e inesquecível Valdiram. Tinha X postos, era pra ter Y. Pronto. Tira a diretoria.

Na época, a diretoria atual do CRVG era oposição, e assim também em 2017, quando o juiz não marcou pênalti claro de Everton Ribeiro cortando com o braço levantado, dentro da área, o cruzamento de Nenê, quando o Vasco x flamengo em São Januário estava 0 a 0. Teve também gol anulado de Pikachu, com Daronco inventando falta no zagueiro lá atrás pra garantir a vitória do queridinho, que viria, por 1 a 0, e depois o quebra-quebra, a PM lançando bomba na direção da arquibancada vascaína e numa dessas coincidências incríveis, o mesmo promotor a postos, pedindo de novo a destituição da mesma diretoria, e não há registro também de pedidos de destituição de diretorias de grandes clubes de futebol nos MPs espalhados pelo País por conta de invasões de campo ou algo parecido. E agora, em 2023, claro que só pode ser mesmo coincidência, mas temos o mesmo promotor, contra o mesmo clube num caso igual ao de 2017, mas não contra a mesma diretoria. E o mesmo promotor continuou pedindo a interdição do estádio, mas não pediu a destituição da diretoria. Por quê?

O fato é que esse ano a perseguição ao Vasco ultrapassou os limites dos tribunais esportivos e a pena pelos distúrbios no jogo contra o Goiás avançou muito além das punições a outros times como, por exemplo, o Santos e a Vila Belmiro. Pra começar, o Vasco não pode jogar em seu estádio nem com os portões fechados, e assim conseguiu vencer o Cuiabá por 1 a 0 no estádio Luso-Brasileiro vazio, e quando pediu pra vender ingresso em São Januário só para mulheres, crianças e deficientes físicos e mentais em São Januário, entrou em cena uma desembargadora que decidiu que não havia como garantir que mulheres, crianças e deficientes físicos e mentais não iriam causar confusão no estádio. Chegou a isso, e diante disso até a mídia corporativa se viu obrigada a protestar contra o absurdo dessa situação, com o Vasco impedido de jogar em seu estádio e também no Maracanã, entregue de mão beijada pelo governo do estado à dupla fla x flu dos bons costumes. Foi num São Januário vazio, portanto, que Vegetti estreou fazendo o gol da vitória contra o Grêmio, três dias depois de chegar ao Rio, iniciando a virada do time que tinha, até ali, faltando duas rodadas pra terminar o turno, nove pontinhos.

Com Vegetti chegaram Maicon, Medel, Bruno Praxedes, Paulinho e, por último, Payet. Jogadores como Zé Gabriel e Paulo Henrique ressurgiram das cinzas e o time de Ramon e Emiliano Diaz foi avançando até sair da zona de rebaixamento com um gol no último minuto, de chilena, de Jair, no jogo atrasado, fora de casa, contra o América Mineiro. Àquela altura São Januário já havia sido liberado para receber público e já havia acontecido a enorme festa com goleada da primeira foto desse texto, lá em cima, 5 a 1 no Coritiba com dois de Vegetti, um de Pec, um de Rossi e o primeiro e mais significativo de todos, do improvável Zé Gabriel, com a camisa negra dos Camisas Negras e nas costas, o número 23.

Veio então o jogo contra o Santos na Vila Belmiro, com Soteldo fazendo o que fez, a gracinha subindo na bola e ali, juntando com a declaração do ex-treinador mulambo dizendo que o Santos era difícil de ganhar porque era um time que nunca tinha caído, os deuses da Bola, que já sabiam com certeza desde o início do ano do Centenário do Carioca de 1923 que o Vasco não seria rebaixado, devem ter decidido de vez qual time iria cair. Mas ali o Vasco voltou pra zona de rebaixamento e lá continuou com o empate contra o São Paulo, com Léo Jardim pegando pênalti pra salvar da derrota e caindo ainda mais nas graças da torcida. São Paulo, e essa foi mais uma graça do destino, treinado pelo campeão demitido pelo vice do Palmeiras, e que tinha acabado de proporcionar mais um vice ao queridinho, que assim, esse ano, retomou o título isolado de maior vice da história da Copa do Brasil, quando os deuses da Bola mostraram que não é qualquer time de outro estado, não, que ganha decisão do dono da casa no Morumbi.

Foi na vitória sobre o então líder Botafogo, com golaço de Paulo Henrique, que o Vasco deixou a zona do rebaixamento pra não mais voltar, no ano em que, provavelmente só para sacanear o supermengão que se achava imbatível, os deuses da Bola mostraram que ganhar essa Libertadores nutella, que nos últimos anos virou Copa do Brasil, não quer dizer muita coisa, porque essa Libertadores nutellinha pode ser conquistada até por times oriundos da terceira divisão do Brasil, e times da terceira divisão conseguiram também o que o mengão não conseguiu, porque o fluzão conseguiu passar da semifinal do Mundial, tudo bem que pra tomar de 4 na final, tomando gol aos 40 segundos de jogo e comemorando 15 minutinhos de toque de bola contra o Manchester City, mas conseguiu.

De quatro tomou o fluzão também do Vasco, a propósito, no campeonato que teve o momento mais emocionante no Vasco x América Mineiro em casa, com os dois filhos, já frequentadores das sociais, estreando na arquibancada de São Janu pra ver Roberto baixar no gramado e fazer Payet decidir como decidiu, de falta, no último minuto, no mesmo lugar e do mesmo jeito do último gol de falta da carreira de Dinamite, também contra um time chamado América, no caso, o de Três Rios. E na última rodada, na mesma arquibancada de São Januário, mas só com o filho mais velho, liberando o caçula da tensão absurda até os 37 minutos do segundo tempo, 
depois do golaço com desvio de Paulinho e do empate do Bragantino, veio o alívio com nova grande jogada de Paulo Henrique e o cruzamento para o predestinado Serginho, e no ano em que os deuses da Bola manifestaram mais uma vez sua predileção, dessa vez por linhas tortas carregadas de repetições e ironias, o Vasco não caiu.


Pitacos em itálico

Com a saída do amigo, Souza decidiu não voltar, até porque havia a mesma parte da torcida contra ele, mas prevalece a alegria pela volta do cria, alegria por ter visto Alex Teixeira jogando de novo com a camisa cruzmaltina, representando a geração dele, de Souza e de Alan Kardec, outro grande injustiçado na Colina, geração que teve o azar de despontar no ano ou às vésperas do primeiro golpe midiático-jurídico dentro do Vasco, golpe este que continua em curso, com a eleição, para presidente, de Pedrinho.

*O primeiro sentimento, sendo-se Vasco da Gama, tem que ser sempre de alegria, e foi com imensa alegria que este blog celebrou a volta do cria Alex Teixeira, no ano passado, a tempo de, mesmo fora de forma, chegando no meio do campeonato, ter sido fundamental na subida não só com os dois gols mágicos no Paraná, contra o Operário, mas também com o pênalti sofrido contra o Sport, em Pernambuco. Esse ano, começou bem o Carioca, com gols importantes contra Botafogo e Flamengo, e no Brasileiro, contra o Fluminense, se antecipou ao maravilhoso Dinizismo roubando a bola com velocidade difícil de ver aos 33, e entregando logo pra Pedro Raul fazer 1 a 0 antes do primeiro minuto de jogo, e o Vasco foi só 15 segundos mais lento que o Manchester City.

*O segundo sentimento, infelizmente, é de tristeza, triste ver como parte da torcida vascaína ainda leva em conta análises de especialistas que, curiosamente, volta e meia botam algum jogador importante pro time do Vasco, com história e qualidade, na berlinda. Foi assim com Martin Silva em 2018, ano justamente em que, depois de quatro temporadas de qualidade, com duas taças, GB e Rio, mais dois Cariocas, um deles invicto, ele defendeu os três pênaltis contra o Jorge Willsterman, que manteve o Vasco como um dos raros grandes times do Brasil que nunca foi eliminado nem em semifinal de Mundial de Clubes, nem em mata-mata de pré-Libertadores. Foi assim também com Pikachu e não foi diferente com Alex Teixeira, colocado na berlinda nas transmissões nos momentos mais difíceis, e assim boa parte da torcida, a mesma que é louca pelo Rossi, acreditou que não seria bom manter no elenco um jogador com essa qualidade, criado pelo clube, que voltou porque quis e só não foi maior na carreira porque o Shakhtar não aceitou vendê-lo ao Manchester United, a pedido de Sir Alex Ferguson, como vendeu ao Chelsea, o William.

*Com a saída do amigo, Souza decidiu não voltar, até porque havia a mesma parte da torcida contra ele, mas prevalece a alegria pela volta do cria, alegria por ter visto Alex Teixeira jogando de novo com a camisa cruzmaltina, representando a geração dele, de Souza e de Alan Kardec, outro grande injustiçado na Colina, geração que teve o azar de despontar no ano ou às vésperas do primeiro golpe midiático-jurídico dentro do Vasco, golpe este que continua em curso, com a eleição, para presidente, de Pedrinho. 

*Ganhando Pedrinho, na eleição online, continua a SAF 777 fazendo o que quer do Vasco, e com contrato blindado, podendo dar calote, pagar tudo atrasado e sendo tratada como superprofissional, com toda a condescendência e babação de ovo deslumbrada da mídia especializada. E continua a pairar a pergunta, diante da vergonhosa quitação a conta gotas do segundo aporte, de R$ 120 milhões, da empresa que se diz multimilionária: por que a diretoria não acionou a cláusula que protege o Club de Regatas Vasco da Gama no contrato com a 777 Partners? A 777 tinha até o dia 5 de setembro para fazer este aporte, descontando R$ 30 milhões ou R$ 15 milhões, vá saber, que teria pagado ao clube adiantado. Não fez o depósito, sem se preocupar em avisar nada ao Vasco, mas tinha 30 dias de carência para depositar a quantia de maneira integral, tudo de uma vez, diz o contrato, até 5 de outubro. Caso não fizesse, o Club de Regatas Vasco da Gama poderia acionar a cláusula que lhe devolve as ações não quitadas ao preço de módicos mil reais. E a SAF não fez o depósito integral, pagou só uma parte no dia 5 de outubro, então por isso fica a pergunta: por que a diretoria do clube não acionou a cláusula que protege o Vasco?

*Na quinta-feira, dia 5, data limite para pagar tudo, a 777 transferiu cerca de R$ 35 milhões ao Vasco. Portanto, nas primeiras horas da sexta-feira, 6, era só depositar R$ 1 mil e retomar 51% das ações da SAF para o clube associativo, que ficaria com 81%. A 777 teria ainda mais 30 dias para pagar o que faltava e assim recuperaria esses 51%. O detalhe é que esse mecanismo a empresa só pode usar uma vez ao longo de todo o tempo de contrato. Na próxima parcela, se houvesse novo atraso, no primeiro dia além do prazo de carência, era só o clube depositar R$ 1 mil e dessa vez não teria mais volta, a SAF voltava ao controle do Vasco. E a próxima parcela, a ser paga em agosto/setembro de 2024, é de R$ 270 milhões, a maior do contrato, que a 777 vai poder atrasar de novo e pagar pingado, porque a diretoria preferiu não acionar essa cláusula, se contentou com o pagamento de mais cerca de R$ 35 milhões na sexta-feira, 6, e com a promessa de quitação do restante na terça-feira, 10. A mesma diretoria que ficou no vazio durante o paga, não paga, pinga, não pinga do segundo aporte, sem ser informada, sem saber de nada, a mesma diretoria que já tinha sido ignorada quando a 777 Partners decidiu tirar US$ 5 milhões do Vasco pra botar numa financeira de seu grupo, essa diretoria, diante desse comportamento da SAF e de todas as suspeitas, algumas comprovadas, que têm pairado sobre ela, poderia ao menos garantir o pagamento sem atraso do maior aporte do contrato, era só depositar R$ 1 mil. Então, de novo, pra concluir, mais perguntas: pra que dar essa colher de chá à 777? Por que a diretoria do clube não acionou a cláusula que protege o Vasco no contrato com a SAF? 

O Vasco, a imprensa e um blog no meio

Vassalo de nobrezas perdidas, a valorizar vitrais e troféus por bom comportamento, entregues por príncipes em nome da fidalguia, o Flum...